Luto e LUTA pelo incêndio no Museu Nacional

“A Associação Nacional de Pós-graduandos vem a público manifestar seu profundo pesar pelo incêndio criminoso ocorrido neste dia 2 de setembro no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O Museu Nacional é a instituição científica mais antiga do país, foi criada por D. João VI, em 6 de junho de 1818. Com 200 anos de História e uma importância histórica, científica, cultural e afetiva inestimáveis para o país, o Museu possuía um acervo da ordem de 20 milhões de peças, incluindo o maior acervo de história natural e arqueologia da América Latina. Ainda abrigava nove cursos de pós-graduação, alguns entre os mais bem avaliados do país com vinculação a centenas de pesquisas documentadas e em andamento.
O incêndio não foi um acidente ou uma fatalidade.Foi um crime. Representa toda a negligência e irresponsabilidade do poder público com as instituições públicas e o patrimônio histórico-cientifico-cultural do Brasil. Está diretamente ligado ao abandono das universidades públicas e ao total descaso do governo federal atual com a Ciência e Tecnologia. Uma tragédia que já se anunciava pelos crescentes cortes e contigenciamentos de recursos necessários à sua manutenção.
Não é de hoje que a ANPG vem denunciando os sucessivos cortes aplicados às universidades públicas brasileiras e à ciência. Estes, por sua vez, têm reverberado em consequências reais, comprometendo funções básicas à manutenção dessas Instituições e dos equipamentos científicos vinculados, conduzindo a uma situação de extrema vulnerabilidade. Falta dinheiro para o trivial: água, luz, limpeza e pequenas reformas.
As políticas de austeridade implementadas pelo governo Golpista têm conduzido a uma destruição concreta da Universidade Pública no país e da Ciiência brasileira. A Emenda Constitucional 95 materializa-se nesse incêndio como a consolidação cruel e nefasta da asfixia das instituições públicas no Brasil pós-golpe.
Junto com as chamas no Museu concretamente se vão anos e anos da História de um Brasil e acervo científico que construímos coletivamente e que virou cinzas graças ao descaso e abandono do poder público. Com elas, também se restringem as possibilidades para o futuro.
Que a nossa dor no dia de hoje torne-se símbolo de luta em defesa do Brasil, da ciência e das nossas universidades públicas. E que saibamos reconstruir nossos caminhos.
Hoje iremos às ruas manifestar nosso luto, indignação, a defesa do Brasil, da ciência e das nossas universidades públicas. Manifestaremos em defesa do Museu Nacional, dos museus brasileiros, plea Universidade Pública e pela revogação da EC 95″.
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 “Pessoal, não salvou-se nada da Linguística. Perdemos todo o acervo de Línguas Indígenas: as gravações desde 1958, os cantos em muitas línguas sem falantes vivos, o arquivo Curt Nimuendaju: papéis, fotos, negativos, o mapa étnico-histórico-linguístico original com a localização de todas as etnias do Brasil, único registro que tinhamos datado de 1945. As referências etnológicas e arqueológicas das etnias do Brasil desde o Sec. XVI…Enfim, uma perda irreparável para nossa Memória Histórica. Está doendo demais ver tudo em cinzas”. Flavia Pedroza (Graduada em Astronomia(UFRJ), mestra em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia (COPPE/UFRJ), doutoranda HCTE UFRJ.
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9/8 Dia internacional dos povos indígenas

Diferente da comemoração do dia 19 de abril, o Dia Internacional dos Povos Indígenas é uma conquista para as nações indígenas do mundo inteiro. Celebrado no dia 9 de agosto, a data rememora o dia em que os povos indígenas chegaram pela primeira vez à sede da ONU, na Suíça, para reclamar nossos direitos, sendo instituída em 1995. Nós povos indígenas ultrapassamos a marca de mais de 370 milhões de pessoas e estamos espalhadas por cerca de 70 países. Tudo começou quando grupos indígenas começaram a se reunir em Genebra, com o objetivo de garantir nossos direitos humanos, até ali e hoje marginalizados e também para assegurar condições dignas de vida sobretudo a garantia do viver bem com a Demarcação dos nossos Territórios Ancestrais. Questões como os impactos sofridos (ambiental, psicológico, perseguições, entre outros), o incentivo à preservação de nossa cultura pelo mundo, bem como o patrimônio cultural e histórico dos nossos povos foram amplamente discutidas. A partir disso, foi possível instituir a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

dia internacional dos povos

O Brasil também foi representado no movimento através de líderes indígenas presentes nos debates. Essa presença foi determinante para deixar claras as necessidades dos povos indígenas brasileiros, além de exigir o respeito as nossas culturas, diferentes costumes, idiomas e diferentes formas de ver o mundo. De acordo com o primeiro relatório sobre o Estado dos Povos Indígenas do Mundo, emitido pela ONU em janeiro de 2010, em muitos países os povos indígenas estão 600 vezes mais vulneráveis à vários tipos de doenças em relação ao resto da população. Já em outras localidades, a estimativa de vida de uma criança indígena é 20 anos menor do que outras crianças não indígenas. As estatísticas são alarmantes e independente da região em que se encontrem, do país de origem, do estado, da cidade ou das etnias à qual pertençam, nós povos indígenas merecemos respeito e dignidade. Antes de ser uma celebração, o Dia Internacional dos Povos Indígenas, devem-se reconhecer os desafios sofridos pelos povos indígenas até os dias atuais. Muito ainda deve ser feito para garantir condições adequadas de vida a nossos povos. A pobreza, a violência, mas, principalmente, a não demarcação dos nossos Territórios e a discriminação devem ser amplamente combatidas. Há uma carga de muitos séculos de preconceito, extorsão e descaso que nós povos indígenas carregamos sobre nossos ombros. Mesmo alcançados pelo texto constitucional, a garantia de nossos direitos, previstos em aproximadamente 46 artigos, está muito longe da realidade.  E digo ao povo que avance!!

Assina: Júnior Xukuru

Acampamento Terra Livre (ATL) 2018 – Brasília

O ATL prevê discutir e definir posicionamentos sobre a situação dos direitos fundamentais dos nossos povos no âmbito dos distintos poderes do Estado, principalmente o territorial (demarcação, proteção e sustentabilidade) e sobre as políticas públicas específicas e diferenciadas conquistadas nos últimos anos (saúde, educação, PNGATI, CNPI etc.) bem como sobre o crescente clima de criminalização, violência e racismo institucional contra os nossos povos, comunidades e lideranças indígenas. Isso implicará em nos mobilizarmos e manifestarmos junto aos órgãos e instancias do poder público envolvidos em principio com a proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas e a implementação das políticas públicas que nos dizem respeito.

Unificar as lutas em defesa do Brasil Indígena – Pela garantia dos direitos originários dos nossos povos“.

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Semana Indígena na UnB – 2018

Carta-Denúncia dos Povos – FAMA 2018, Brasília

Nós, os Povos Originários e Comunidades Tradicionais do Brasil, os guardiões das águas e da natureza, reunidos no Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA),  realizado no período de 17 a 22 de março de 2018, em Brasília-DF, berço das águas, para denunciar ao país e ao mundo as violações à natureza e aos direitos dos povos, trazemos aqui nossas perspectivas sobre as águas, sobre os crimes praticados e seus impactos, sobre a luta, e sobre os desafios e as alternativas para a proteção da vida saudável com qualidade para esta e as futuras gerações, bem como para exigir a responsabilização e reparação pelos danos causados. Declaramos que as águas são seres sagrados. Todas as águas são uma só água em permanente movimento e transformação. A água é entidade viva, e merece ser respeitada.
Somos água, e existe uma profunda unidade entre nós e os rios, os lagos, lagoas, nascentes, mananciais, aquíferos, poços, lençóis freáticos, igarapés, estuários, mares e oceanos como entidade única. Continuar lendo