Marcha pela Ciência no Brasil: 22/04/2017

“O mês de março do ano em curso deixou estudantes, professores, cientistas, pesquisadores e amistosos da ciência, preocupados com o grave corte no orçamento destinado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações e Comunicações (MCTIC), considerado o mais drásticos das últimas décadas. Os dirigentes do país justificaram suas atitudes com base na crise econômica e seus reflexos na alta recessão, além do baixo crescimento do produto interno bruto.

Ora, é, exatamente nesse momento que os governos deveriam priorizar os investimentos na produção do conhecimento do país como forma de incentivar os cientistas a ajudarem a pensar formas de superação de uma das piores crises que o Brasil já viveu. Não estou falando apenas de recursos financeiros, muito menos de solicitar que seja entregue a comunidade cheques de ouro, e em “branco”, estou falando de priorizar a produção do conhecimento científico à serviço da superação das desigualdades políticas, econômicas e sociais, que assolam o país, desde o período colonial.

Afinal, desde então, o andar das carruagens segue a passos lentos, a que pesem as conquistas na produção do conhecimento científico. Entre elas, o surgimento das instituições de ensino superior, bibliotecas, museus e laboratórios ao longo do século passado, ainda assim, não foram suficientes para mudar os pensamentos positivista, funcionalista e utilitarista, ousaria dizer, de uma cega prática no modelo de financiamento das pesquisas brasileiras. Os ditames da burocracia, a insensibilidade, a prescrição de regras, pior, a “cegueira noturna” dos avaliadores e líderes de pesquisas inibem que novas gerações cresçam, floresçam e despontem com seus modos próprios e inovadores de pensarem o Brasil de hoje.

De quem tem medo os governos? Por que seguem aprisionando o crescimento em o desenvolvimento da ciência e tecnologia nas cidades brasileiras? E, mais doentio ainda, por que destinam recursos de todas as ordens, somente para aqueles que ajudam a atrapalhar os caminhos rumo ao fortalecimento da ciência comprometida com o bem comum? Se desejam a ciência como simples exercício de poder, o Brasil já fez a lição de casa no sentido reverso. Mulheres e homens admiráveis, a exemplo de Nise da Silveira, Neusa Amato, Carolina Martuscelli Bori, Alice Piffer Canabrava, Bertha Maria Júlia Lutz, Elisa Esther Habbema de Maia, Elza Furtado Gomide, Eulália Maria Lahmeyer Lobo, Ruth Sonntag Nussenzweig, Rosaly M. C. Lopes-Gautier, Oswaldo Cruz, Mário Schenberg, César Lattes, José Leite Lopes, Adolfo Lutz, Carlos Chagas, e seu filho, Carlos Chagas Filho, Vital Brazil, Milton Santos, Florestan Fernandes, Crodowaldo Pavan, entre tantos outros, insistiram, persistiram e resistiram anos após anos na defesa incondicional da necessidade do país investir, a longo prazo, em pesquisas que resolvam os problemas que inibem o desenvolvimento humano, nos dizeres de Jean-Jacques Rousseau¹: “Nosso verdadeiro estudo é o da condição humana”. Nessa direção, ontem, hoje e amanhã, esse é o cheque ouro em branco, que segue, portanto, a ser necessário. O resto, é a ciência à serviço do poder pelo poder.

Se assim o é, devemos marchar em outra direção, avisando de pronto que não queremos ser prisioneiros de laboratórios sem finalidades. Não deitaremos em berço esplêndido, enquanto a realidade nos grita, sinalizando que não devemos obedecer “as novas” ordens liberais. Essas já contradizem frontalmente a nossa liberdade de escolher, priorizar e investir em estudos que posicionem o Brasil para o desenvolvimento do seu povo, com educação, saúde, trabalho, moradia, terra, alimentação, lazer e, porque não, felicidade.

Não nos parece razoável que vedemos nossos olhos diante das decisões de quais são os bons e maus projetos de pesquisas distinguidos pelos interesses do mundo capitalista e de suas formas perversas de promover os meios de produção e de consumo deseducado. Muito menos naturalizarmos os alvarás, outorgados pelos débeis ajuizamentos dos poderes executivos, legislativos e, por abusivas vezes, judicializados, se julgando no direito de dizer à Instituições de ensino e pesquisa o que elas devem ou não estudar, subsumindo assim, a autonomia dessas instituições de pensarem o Brasil e o mundo contemporâneo, recriando fronteiras, como uma verdadeira inquisição de McCarthy, entre os cientistas e seus estudos.

Logo, devemos marchar, repito, em defesa de um país corajoso,à esquerda, renovada, e desejoso de investir em seus cientistas, confiante no valor imaterial, no valor intangível dos bens do conhecimento. Esse, em uma inter-relação entre povos, sem fronteiras, instigados por um conhecimento cada vez mais complexo, profundo, progressista, inteligente, desde a natureza física, biológica, social e cultural, rumo ao bem-estar da humanidade, império da razão e o desenvolvimento da ciência.

Por essas e outras razões, temos um encontro marcado com a ciência brasileira e mundial, no dia 22 de abril, sábado. Trata-se da Marcha pela Ciência. Assim como nós, mais de 400 cidades em todos os continentes, sobretudo nos Estados Unidos, onde começou a iniciativa, e Europa, marcharão conosco. Marcharemos, lado a lado com os estudantes, professores, cientistas e pesquisadores, e a sociedade civil organizada, alertando aos governantes e tomadores de decisão, do imperativo em resguardar, amparar e sustentar as instituições de Ensino e Pesquisa de todo o planeta.

A comunidade cientifica brasileira estará de mãos dadas com o mundo, na arena política, lutando pelos investimentos na ciência como um bem humanitário e como instrumento à consolidação da democracia plena em todas as nações. Se você se importa com a redução dos recursos orçamentários e financeiros das políticas de educação, ciência, tecnologia e comunicação, e reconhece que é de responsabilidade da comunidade científica a definição das linhas de pesquisas que resolvam os grandes problemas que afligem o Brasil e os demais países do planeta, junte-se a nós. Do contrário, estará delegando a outros seu lugar nas tomadas de decisões sobre os caminhos da ciência e de sua comunidade nas próximas décadas. Lembrem-se que esta não é mais a idade da inocência. É sabido, com evidências, que os governantes querem a educação, ciência, tecnologia e comunicação para impetrar o poder ou, como costumamos afirmar, para impedir seu desenvolvimento pelo mesmo motivo. Lembrem-se ainda que os cientistas mais aclarados não se satisfazem com seus laboratórios, nem se mantêm prisioneiros aos donos do saber-poder de uma ciência que ficou nos porões do século passado. Inquietam-se para compartilhar conhecimentos, agregar novas gerações de pesquisadores livres e abertos a outras formas de fazer ciência, cujos “insumos” são as veias abertas dos territórios vivos e complexos de um povo. E, como é previsível, diante do povo, os políticos, administradores, empresários do mundo capitalista se melindram.

Nesse confronto, urgente e inevitável, ou a comunidade científica se politiza, ou deixaremos que a ciência, flor exótica e delicada, exigente de condições especiais para crescer e florescer, pereça no ar. Quem pagará a conta para assistir ao fenecimento da exótica flor da ciência?”

*Maria Fátima Sousa é doutora honoris causa pela Universidade Federal da Paraíba, professora do Departamento de Saúde Coletiva, da Faculdade de Ciências da Saúde, da Universidade de Brasília (DSC/FS/UnB) e associada Abrasco.

1: Discurso sobre a desigualdade. In: Rousseau. São Paulo: Abril Cultural, 1973 (Os Pensadores).

Fonte: https://www.abrasco.org.br/site/noticias/conhecimento-inovacao-tecnologia/a-exotica-flor-da-ciencia-em-fenecia-quem-pagara-essa-conta/28001/, acesso em 18/04/2017.

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Secretária do MEC defende cobrança de mensalidades em IFES

Secretária do MEC defende cobrança de mensalidades

Publicado em : 24/03/2017

Matéria originalmente publicada na edição de março do Jornal do Professor – ADUFG-Sindicato

Em audiência com  dirigentes do Proifes-Federação, a secretária executiva do ministério da Educação (MEC), professora Maria Helena Guimarães de Castro, defendeu veementemente a cobrança de mensalidades nas universidades e institutos federais. A reunião, em Brasília, ocorreu no dia 16 de fevereiro passado. Continuar lendo

!”No más muros ni humillaciones”!

El Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales se solidariza con el pueblo mexicano ante los inaceptables ataques que ha sufrido por parte del nuevo presidente norteamericano.

Desde su candidatura y ahora desde la presidencia, Donald Trump ha atribuido las causas del persistente desempleo de su país a México y a los mexicanos. Las razones de semejante apreciación no son otras que el prejuicio, las convicciones xenófobas, racistas y discriminatorias de un millonario ignorante y prepotente que ahora gobierna los destinos de la nación más poderosa del planeta.

Consideramos que el ataque del gobierno norteamericano a México es un ataque a toda América Latina y a cada uno de los latinoamericanos y latinoamericanas.

Estamos con México. No aceptamos más agresiones, muros ni humillaciones.

Con México, siempre. Un saludo fraternal y solidario.

Comité Directivo
Secretaría Ejecutiva
CLACSO

Fonte: www.clacso.org

Mulheres UnB na luta, de luto! Patriarcado e violência contra às mulheres.

Hoje, 16/11/2016, as alunas de Direito da UnB ocuparam as instalações da Faculdade como manifestação de repúdio à violência contra as mulheres. O movimento protestou para romper com o silêncio em torno da  morte de Ariadne Wojcik, formada nessa faculdade. Acionando um repertório de protesto formado por pichações, bloqueio dos corredores e acessos, aulas públicas e rodas de conversas, as alunas pautam o gênero como categoria acadêmica e política que deveria nutrir os debates dessa instituição. Segundo uma manifestante “pichar as estátuas masculinas com cor de rosa, pichar as paredes com o slogan o ‘machismo mata’, tirar as cadeiras das salas de aula para bloquear o trânsito é um protesto que deve ser lido como um modo legítimo de dizer chega de silêncio”.

Foto: aula pública “Patriarcado, Estado e a dificuldade no enfrentamento da violência contra às mulheres”.

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Carta virada antropofágica e resistência nagô

Prezados professores,

            Em Assembleia Geral dos Estudantes de Ciências Sociais UnB realizada no dia 7 de Novembro de 2016 com a participação dos Centros Acadêmicos de Sociologia e Antropologia, foi deliberado entre o conjunto dos discentes a vigência de uma Greve Estudantil do Instituto de Ciências Sociais a partir de tal data. Entendemos a necessidade real de combate ao desmonte continuo de nossos direitos, com foco na educação, que deve por constituição ser pública, gratuita e de qualidade.

            Nesse sentido, como deliberação, nos colocamos absolutamente contra a PEC 241 – A PEC do fim do mundo (PEC 55), contra a PL 876/2015 (escola sem partido) e contra a MP 746/2016 ( MP de reforma do Ensino Médio), gritamos a plenos pulmões por LIBERDADE A RAFAEL BRAGA e pelo fim deste governo ilegítimo e usurpador dos direitos do povo brasileiro, nós gritamos pelo FORA TEMER!

            Pedimos que cumpram o que não é nada menos que seu dever enquanto docentes de um modelo de universidade pública ameaçado. Pedimos a participação massiva na assembleia que será realizada amanhã, dia 11 de Novembro, ás 9:30 da manhã no Centro Cultural da AdunB, nesse panorama político de nosso país o papel de defender a educação não é só do estudante, não é só defender a Universidade de Brasília, estamos defendendo um modelo de vida e sociedade, estamos OCUPANDO e RESISTINDO pelo futuro desse país.