Nota de Pesar do Curso de Serviço Social

As e os docentes do Departamento de Serviço Social manifestam seu pesar com o brutal assassinato da Louise Maria da Silva Ribeiro, aluna desta Universidade e se solidarizam com familiares, amigas e amigos.

Louise morreu por ser mulher. Mais uma vítima de femicídio no Brasil. Louise morreu por dizer não. Louise morreu por não ter o direito de dizer não, segundo o seu algoz – um ex-namorado. Seu algoz não era um estranho, um assaltante, sequestrador, assassino escondido nas áreas ainda não iluminadas e ermas dessa Universidade – estes que desde pequenas somos ensinadas a temer.

Era alguém da sua rede afetiva. Louise foi ao encontro de seu algoz, pois este não era um estranho, alguém a se temer. Por esse motivo, não seriam seguranças ou policiais que impediriam que esse ato bárbaro acontecesse. Não seria mais iluminação ou câmeras de segurança, apesar de considerarmos tais medidas também imprescindíveis. A violência que acometeu Louise não pode ser prevenida com medidas dessa natureza – é uma violência cujas raízes são mais complexas – ela revela o quanto o sistema patriarcal e sua expressão maior, o machismo, ainda estão presentes em nossa sociedade – e na Universidade de Brasília – conformando mentalidades e forjando ações que humilham, maltratam e matam mulheres há séculos. É conseÉ consequência, pois, não da falta de segurança ou de polícia no Campus, mas de uma cultura patriarcal e machista que desvaloriza o feminino em todos os âmbitos da vida social.

Episódios como este, infelizmente fazem parte de uma história de crescente discriminação e violência contra as mulheres na Universidade de Brasília, que quando não são minimizadas pelas instâncias decisórias da UnB, tem gerado ações pouco eficazes. Reconhecemos como importante ação a criação de uma Diretoria de Diversidade pela Administração Central, mas lamentamos a ausência de uma política sistemática de promoção de uma cultura não sexista e não violenta, para toda a Universidade.

Em tempos de recrudescimento do conservadorismo, no qual as manifestações pelo direito a igualdade são ridicularizadas; que o feminismo – movimento social responsável pelas conquistas de direitos às mulheres – é pejorativamente associado a um dos regimes mais violentos dos últimos séculos. Tempos em que o conceito de gênero é demonizado e impedido por nosso parlamento de integrar os currículos escolares…

Esse tempo marcado por retrocessos em meio a alguns avanços. A Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio são conquistas fundamentais, na medida em que reconhecem os efeitos das relações desiguais entre homens e mulheres decorrentes do sistema patriarcal e a responsabilidade do Estado em seu enfrentamento. Todavia, não temos conseguido diminuir o número de mulheres espancadas, estupradas e mortas por serem mulheres.

É urgente que, além de modificarmos os mecanismos penais, sejam implementadas ações que incidam e transformem a cultura patriarcal e machista que sustentam as relações sociais estabelecidas: é imprescindível falar de gênero, de feminismo, das mortes causadas pelo machismo e é necessário fazer isso em todos os lugares, em especial, nos bancos das Universidades.

Como Universidade pública, laica e socialmente referenciada, cabe à UnB formar cidadãs e cidadãos comprometidos com a sociedade, com os direitos humanos e com a justiça social; não profissionais altamente especializados nos campos das ciências exatas, humanas ou da saúde, mas completamente alienados da dura realidade de desigualdade que atinge nós mulheres, mas também outros segmentos, discriminados por sua condição de classe, orientação sexual, raça/etnia, entre outras opressões.

Clamamos, assim, ações efetivas da direção desta Universidade de apoio à Diretoria da Diversidade, e dos Decanatos de Graduação, Extensão e Pós-Graduação, voltadas ao combate ao machismo e ao enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres. Clamamos por ações que faça o ambiente universitário efetivamente livre das opressões de gênero, que em seu limiar, provocam mortes.

Não esperemos que mais mortes aconteçam para debater isso.

Fonte: ftp://ftp.unb.br/pub/download/Nota_Louise.pdf

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